COMER SEM CULPA

//COMER SEM CULPA

COMER SEM CULPA

 

A ideia de bom ou mal contribui com o aumento da lista de vilões, com as dúvidas e, consequentemente, com o medo de se alimentar. As dúvidas sobre uma alimentação mais saudável estão confundindo as pessoas, que em meio a tantos alimentos com funções mágicas que surgem mensalmente – chia, óleo de coco, óleo de cártamo, linhaça, goji berry, chá de hibisco, castanha do Pará, leite de amêndoa e etc – não sabem o que eleger.

Qual eu devo utilizar agora para emagrecer? Troco a chia pela linhaça para ajudar a reduzir o colesterol ruim? Utilizo o óleo de coco para cozinhar os alimentos? O que devo procurar e evitar nos rótulos dos alimentos? As dúvidas são inúmeras e a resposta mais simples é que um determinado alimento não tem poder de ação sozinho. É fundamental trazer equilíbrio, colorido e variedade para o seu prato. Frequentar mais as feiras livres e “hortifruti” para enriquecer sua casa de frutas, verduras, legumes e grãos é um bom começo. Embora esses alimentos não contenham rótulos, o que é imprescindível não somente pelas informações nutricionais mas principalmente por casos de intolerâncias e alergias alimentares, seus benefícios já são largamente conhecidos. Além de adicionar os alimentos funcionais (que além de nutrir possuem efeitos benéficos á saúde) ao programa alimentar, é necessário praticar exercícios regularmente e reduzir o estresse do dia a dia.

A disseminação de dietas com restrições a determinados grupos de alimentos ou dietas sem açúcar, sem glúten, sem lactose, postagens nas mídias sociais da barriga negativa e da busca da magreza a qualquer preço oferece grandes riscos à nossa saúde que já podemos observar. Se de um lado temos o excesso de peso de mais de 60% da população Brasileira, no outro extremo está o crescimento dos transtornos alimentares (anorexia, bulimia, vigorexia, ortorexia entre outros).

Quanto maior a restrição alimentar maior o risco de compulsão.
Mulheres estão sempre em busca da redução da gordura corporal, entretanto esta redução sem controle e limite traz riscos à saúde. Quando o percentual de gordura está abaixo de 17% para as mulheres pode ocorrer oligomenorréia (irregularidade no ciclo menstrual) e até amenorréia (parada da menstruação), estando associados à perda óssea na coluna e em ossos longos (osteopenia e de forma grave osteoporose). A gordura periférica possui papel importante na conversão dos hormônios andrógenos em estrógenos. Quando ocorre diminuição da gordura, a quantidade de estrógeno diminui e os andrógenos aumentam, causando a parada dos ciclos menstruais.

A demonização dos alimentos começou há mais de 40 anos, com a gordura. Depois veio a vez do carboidrato, o açúcar e, mais recentemente, o glúten, a lactose e a frutose. Perceba que é cada vez mais difícil entender o que é, exatamente, que faz mal. Para isso, você precisaria entender a composição dos alimentos: proteínas, açúcares, etc…

O que é glúten? O que é lactose? O que é frutose? Será que precisamos parar de comer frutas? Claro que não! Isso é excesso de “cientifismo” mal interpretado e transformado em terrorismo. As informações mudam o tempo todo e, muitas vezes, são conflitantes. As verdadeiras pesquisas científicas nunca dão resultados tão radicais assim. O problema é a Interpretação que é feita desses resultados e a procura do sensacionalismo.

A ciência sugere moderação: “Excesso de açúcar pode aumentar o risco de ter diabetes”. Escutamos “açúcar dá diabetes”. Coitado do açúcar! É claro que há algumas pessoas que têm problemas ou alergias e isso precisa ser tratado. Alguns, por exemplo, sofrem de doença celíaca e precisam evitar o glúten. Mas tirar o glúten, a lactose e a frutose de uma população inteira é insanidade. Esse terrorismo faz com que o ato de comer se torna um ato potencialmente perigoso. Não existem alimentos venenosos ou milagrosos e nosso corpo é capaz de digerir todo tipo de alimento. Você pode comer de tudo, mas não tudo! Coma com moderação. Quando você só foca nos nutrientes e nas calorias, esquece de escutar seu corpo.

Você não responde mais à fome e à saciedade, mas às regras impostas e ao seu lado racional. Você pensa demais e deixa de sentir. Comer se torna algo estressante. Você vive na ansiedade de nunca conseguir seguir as regras “certas” e sente culpa na hora de comer. Essa culpa ao comer é algo recente na nossa sociedade e atrapalha nossa saúde mental, social e física. Precisamos acabar com essa culpa ao comer.

Essa é uma das coisas que eu mais trabalho no meu consultório: quebrar as crenças limitantes dos meus pacientes para eles fazerem as pazes com a comida e o corpo. É muito importante para nossa saúde se reconectar com nosso corpo, voltar a escutar as nossas sensações de fome e saciedade e poder comer sem culpa..

A culpa ao comer está sendo cada vez mais estudada e foi observado que ela aumenta o risco de você engordar: fazendo com que você coma mais rápido e em maiores quantidades sem perceber. Ela também altera sua digestão e aumenta o seu estresse. Quando você come com prazer e sem culpa, você come menos ao longo do tempo porque toma o tempo de saborear e fica satisfeito mais cedo. Pesquisas também comprovam isso! Então bon appétit! Sem terrorismo e sem culpa!…

Por Anna Cristina Botelho – Nutricionista

Por | 2019-09-17T19:14:11-03:00 setembro 17th, 2019|Saúde|0 Comentários

Sobre o Autor:

Deixe um Comentário