A Cufa – Patrocínio como laboratório de empoderamento da periferia

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A Cufa – Patrocínio como laboratório de empoderamento da periferia

INCLUSÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E POLÍTICA

Por João Meira

A descrença dos brasileiros em nossas instituições é cada vez maior. Seja pelo Índice de Confiança Social da IBOPE, seja pelo Índice de Confiança na Justiça produzido pela FGV-SP, a conclusão é a mesma: nos últimos anos a crença nas instituições diminuiu significativamente, trazendo a avaliação de confiança de instituições fundamentais, como o Governo Federal (6%), o Congresso Nacional (7%) e a Justiça Brasileira (24%) a patamares alarmantes.

Mas estes resultados não são uma surpresa. Dos estudos mais profundos aos mais superficiais sobre a democracia já é unânime a percepção de que vivemos em uma época de descrença na política e nas instituições, onde o cidadão comum se sente cada vez mais impotente, solitário e descrente; e, diante deste cenário, a principal pergunta que se faz é: como contornar esta crise? Como fazer com que os cidadãos se sintam menos desamparados e sozinhos, fazendo renascer a esperança de uma sociedade mais justa, solidária e participativa?

É na busca de uma resposta a esta pergunta que se constrói a Central Única das Favelas. Uma organização da sociedade civil desenvolvida em parceria com os mais diversos movimentos sociais, a CUFA já atua nacionalmente há mais de 20 anos, oferecendo nova perspectiva de vida às comunidades periféricas brasileiras, tornando conceitos como inclusão social, representatividade, educação, cultura e lazer algo muito maior do que meras promessas de campanha ou discursos demagógicos. Nessa luta, Patrocínio desponta como uma das referências nacionais, tendo como coordenadora de seu núcleo ninguém menos do que a Vice-Presidente Nacional da CUFA, a pedagoga Revalina Aparecida.

Na CUFA-Patrocínio, no entanto, existe uma convicção ainda mais específica: a de que a educação é a ferramenta mais importante na emancipação daqueles excluídos pela sociedade. É importante saber, no entanto, que esta “educação” não se preocupa apenas com a habilidade de somar ou conjugar verbos corretamente. A educação emancipadora vai além, tendo como eixo central o empoderamento dos pobres, pretos, mulheres e outras minorias, ensinando a beleza da cultura e da arte brasileira para além da política dos coronéis.

E como é feito este “empoderamento”? Por meio de inúmeros projetos. O mais significativo deles se chama “A Arte de Aprender”, onde crianças e jovens periféricos têm acesso a diversas oficinas, que abordam questões étnicas, políticas, culturais e filosóficas. A oficina de “Educação das Relações Étnico-raciais”, por exemplo, traz à discussão para estes jovens conteúdos sobre o racismo, a riqueza da cultura de matrizes africanas e a beleza do povo preto. Nas oficinas de teatro, estêncil e congado, por sua vez, os alunos são motivados a consumir e participar de atividades artístico-culturais que contribuem para a sofisticação do pensamento. Por meio destas oficinas os alunos são convidados a refletir de maneira mais profunda sobre a situação de desigualdade social e exclusão étnica, sendo encorajados a agir em busca do rompimento desta lógica que consome nosso país há tantos séculos.

Para além do projeto da “Arte de Aprender”, no entanto, existem muitas outras iniciativas que têm como intenção estimular a vida em comunidade e renovar confiança no agir político democrático e em uma sociedade diversa como a brasileira. Como exemplo podemos citar o Movimento pelo Preto na Política (ou MP3, que leva à periferia o debate de questões políticas locais, regionais e nacionais em espaços públicos), a Rua de Cultura e Lazer (ou RUCULA, que organiza um espaço com atrações artísticas e esportivas na periferia) e o EducaPerifa (que prepara os alunos para as provas do ENCCEJA e Sisu).

Porém, todas estas atividades planejadas e executadas pela CUFA-Patrocínio acontecem, na maioria das vezes, com apoio tão somente dos voluntários que se dispõem a participar dos projetos. Inúmeras são as dificuldades enfrentadas por um movimento como este, da dificuldade financeira às tentativas de manipulação por aqueles que se beneficiam da atual crise brasileira. Ainda assim, o movimento cresce e se qualifica a cada dia, se alicerçando no afeto, na comunhão e na fé inabalável de que os mais simples necessitam menos discursos políticos superficiais e mais representatividade, poder e igualdade.

 

Por | 2018-08-19T23:22:26-03:00 agosto 19th, 2018|Projetos Sociais|0 Comentários

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